Membro do Europarlamento pede debate sobre EBU e Israel

O eurodeputado esloveno Matjas Nemec.

O eurodeputado alemão Matjas Nemec (SD/S&D) pediu à União Europeia de Radiodifusão (EBU) que exclua Israel da edição de 2025 do Eurovision, alegando que a participação do país viola os valores fundamentais da UE. O pedido foi realizado em conjunto com outros colegas, que também se reuniram com a cúpula, além de novos eurodeputados que assumirão seus mandatos nesta semana – segundo Nemec. Ele também defendeu a realização de um debate no Parlamento Europeu sobre a responsabilidade da EBU em relação à tomada de decisões políticas.

A polêmica em torno da edição de 2024 se intensifica, com Nemec se juntando aos colegas críticos que questionam a decisão da EBU de permitir a participação de Israel. Em um comunicado à imprensa, o parlamentar afirmou que o Eurovision é a maior competição musical da Europa e que a organização tem “uma responsabilidade ainda maior de ser consistente em suas decisões“.

Ele ressaltou que a EBU já excluiu a Rússia da competição no passado devido à invasão da Ucrânia e a Iugoslávia por motivos políticos, mas não tomou a mesma medida contra Israel.

Deste modo, o eurodeputado criticou a EBU por “considerar em suas próprias alegações de que agiu de maneira não política e imparcial“, destacou que a última edição foi marcada por diversas controvérsias – como a desqualificação do representante dos Países Baixos (Joost Klein) e a proibição de bandeiras da UE. Ele argumentou que a EBU “arbitrariamente decidiu orientar o curso do festival” e que isso “reforça os debates sobre a motivação política das suas decisões“.

Nemec lamentou a “oportunidade perdida” pela EBU de enviar uma mensagem de paz e tolerância ao excluir Israel da competição e afirmou que a decisão tomada “é completamente intolerável” e que o festival não deve se tornar “propaganda política“.

O eurodeputado anunciou que nos próximos meses convocará um debate no Parlamento Europeu, em Bruxelas, sobre a responsabilidade da EBU em relação à tomada de decisões políticas. Ele também criticou a organização por “legitimar as ações que a UE deveria ter mostrado o cartão vermelho há muito tempo“.

EBU e a “investigação independente”

Em meio à crescente pressão, a EBU anunciou o início de uma “investigação independente” sobre o que aconteceu em Malmö. A investigação foi concluída no início de julho, mas seus detalhes ainda não foram divulgados.

O diretor de mídia da EBU, Jean Philip De Tender, afirmou em entrevista à rádio nacional sueca que a investigação não encontrou motivos para demitir Martin Österdahl, atual produtor executivo do festival, do cargo. No entanto, a EBU decidiu implementar algumas mudanças, como a criação de novas posições para descentralizar as responsabilidades de Österdahl.

A edição de 2025 está prevista para acontecer na Suíça. Resta saber se a EBU conseguirá apaziguar todas as críticas e garantir que a próxima edição do festival seja realizada de forma pacífica e sem mais controvérsias.

Com informações da Televisão Eslovena.