AmarElo, reflexo da luta antirracista do Brasil atual

Desde o projeto Estudar Vale a Pena, que fiz ao visitar colégios públicos na periferia de São Paulo, num trabalho voluntário do Instituto Unibanco, onde a ideia era oferecer um incentivo para os alunos do período noturno para terminarem o ensino médio.

A dinâmica deste trabalho era apresentar pessoas que nasceram em ambientes vulneráveis, vindo de famílias de origem na sua maioria afro-brasileira, descendentes da África ou dos povos originários do Brasil, mostrar a trajetória e superação desses personagens.

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Buscando achar algo que representasse uma resposta desse trabalho encontrei o AmarElo, uma mistura de músicas, shows, clipe e documentário, um projeto que traz uma resposta para aquilo que estávamos trabalhando no Estudar Vale a Pena, ou seja, mostrar a história da construção do povo brasileiro, a escravidão e o trabalho negro na formação do Brasil, o processo do racismo, embranquecimento das pessoas negras bem sucedidas, a cultura negra e hip-hop na afirmação de jovens negros e a ocupação de espaços. 

A mensagem da música “AmarElo – É tudo pra ontem” que Emicida propõe reivindicar espaços de validação cultural injustamente interditados aos negros, como se apresentar no Teatro Municipal de São Paulo.

No documentário “AmarElo – É Tudo Pra Ontem”, o rapper Emicida usa os bastidores do show no Theatro Municipal de São Paulo para trazer a história da cultura e dos movimentos negros no Brasil. 

Para um mundo em decomposição, Emicida optou por escrever como quem manda cartas de amor, esse que deu no projeto de AmarElo, em que ele propõe um olhar sobre a grandeza da humanidade.

O videoclipe “AmarElo” trouxe temas sociais que aparecem na música, uma pedagogia cultural de resistência, superação de negros, LGBTQIA+, pessoas PCD que vivem na periferia que conquistaram espaço.  Antes do início da música surge um áudio real recebido por Emicida de um amigo próximo, que não via saída que não o suicídio, mas sobreviveu, junto deste áudio um sample de Belchior.

Na busca de manter o espírito positivo, com fé, amor e construção despertado por “AmarElo” vêm a música “É tudo Pra Ontem”. 

No palco das orquestras de São Paulo, o Theatro Municipal de São Paulo, Emicida fez o grande show da sua vida, onde ele coloca dentro do teatro um novo público, aqueles que nunca tinham entrado lá, com as músicas de seu álbum. Neste show, ele faz uma contextualização fundamental sobre escravidão, política de branqueamento e racismo.   

Esse show foi gravado em novembro de 2019 e filmado pela Netflix, mostrando a historiografia da negritude brasileira, reparação histórica, análise sociológica, autobiografia e registros do making-of.  

A obra vai abordar as questões do racismo e as sociais que afetam os negros e as outras pessoas da periferia. Ele busca alçar as dimensões do espírito, da alma, da inteligência, do cotidiano, dos sentimentos, das afetividades, dos corpos humanos, aqui, especificamente, dos corpos negros apagados pela ciência moderna desde sua escravização. 

Dentro do contexto da obra AmarElo, existe a lembrança que o Brasil foi o último país do continente a abolir a escravidão. Que São Paulo cresceu no ciclo do café através da mão de obra escravizada. 

No álbum da música AmarElo, terceiro álbum do artista, traz uma capa com a foto da fotógrafa Suíça e ativista do movimento indígena Claudia Andujar, exibida no Instituto Moreira Sales (IMS-SP) em 2018 na exposição “A Luta Yanomami”. 

No Clipe do álbum AmarElo temos, Tuany Nascimento, professora de balé do projeto Na Ponta dos Pés. A estilista e costureira Lu Costa, o Jalmyr Vieira, advogado e o dançarino Ronald Yuri. Onde é contada as histórias de superação destas pessoas. 

Ao longo das entrevistas do Rapper Emicida ao longo de um podcast longo que ele traz a visão deste trabalho, numa discussão sobre o futuro e o uso da palavra Amor na bandeira nacional, deixo aqui a minha sugestão:

AMOR COM ORDEM E FELICIDADE COM PROGRESSO PARA TODOS

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