A cidade é a maior da América Latina e nesse 2024 não é o Metaverso ou os cenários produzidos pelas inteligências artificiais que enxergamos o futuro quando saímos das telas, o futuro são as praças e ruas no centro, pessoas jogadas na chuva e no sol, sujeira para todos os lados, em alguns pontos falta de luz, além de falta de água, esse é o cenário.
Minha primeira visita ao centro de São Paulo foi em 1978, quando cheguei de João Monlevade, do interior de Minas Gerais, ainda adolescente, vi uma cidade grande, mas organizada, desde aquele primeiro momento, muitas transformações ocorreram na cidade.
Não vou ser saudosista, contado as mudanças que a cidade teve nesse período, vou tratar do hoje e pensar o futuro. Qual é o futuro almejado pelos gestores da cidade, legisladores, comerciantes, estudantes, artistas, ambulantes, educadores, policiais, trabalhadores, arquitetos, engenheiros, banqueiros, turistas e as pessoas abandonadas, adultos, idosos, jovens, adolescentes e crianças?
Cada um, pode ser que falte alguém nessa lista, pode desenhar o futuro que imagina ter esse centro da cidade, desenhar como gostaria que esse centro fosse restaurado para atender aos desejos que almejam para a cidade sem interferir nos direitos dos outros cidadãos da cidade.
Escrevi um projeto para um curso de Curadoria da EBAC – Escola Britânica de Artes, Criatividade & Tecnologia, nesse trabalho olhando o Parque da Luz no Centro da cidade, percebi a necessidade de cuidados do mesmo, mas junto, percebi uma quantidade de pessoas dentro e fora do parque em sua volta, cada um com seus afazeres ou sem nenhum.
São vários os imóveis tombados no Centro histórico da cidade de São Paulo, dentro destes imóveis quero listar alguns e criar um projeto que possa oferecer uma nova abordagem de conservação e restauro destes imóveis e da paisagem em torno dos mesmos, mas aqui a mão de obra que deve executar e manter esses imóveis são as pessoas que estão utilizando ou vivendo em sua volta.
As intervenções dos imóveis tombados devem ser autorizadas pelas esferas competentes e não podem descaracterizar o mesmo. É obrigatório obedecer aos critérios de manutenção, restauração e reparos do órgão que fez tombamento do imóvel.
Os imóveis tombados podem ser usados como residências e até mesmo para estabelecimentos comerciais, desde que seguidos os critérios dos órgãos competentes nas esferas municipal, estadual e federal.
Durante o processo de tombamento são determinadas quais as características do imóvel devem ser preservadas integralmente e quais podem sofrer alterações, desde que seguidas regras determinadas. Antes é necessário autorização para iniciar a obra de restauração e/ou manutenção, onde o órgão competente deve verificar as documentações do tombamento. As reformas não podem descaracterizar o imóvel tombado, ou seja, tirar os elementos originais determinados na resolução de tombamento.
O objetivo é manter o imóvel para não descaracterizar seu valor histórico, cultural, arquitetônico e ambiental ou mesmo seu valor afetivo, impedindo a perda destes valores ou até a demolição do imóvel tombado. Durante toda a reforma, devem seguir os critérios de preservação para manter as características originais da estrutura do imóvel.
Empresas especializadas podem ser necessário para o restauro para manter a originalidade da obra, mas junto destas devemos ter universidades, faculdades, empresas que possam capacitar as pessoas que estão vivendo e utilizando esses espaços para terem condições dignas de vida, uma renda, profissão.
Uma proposta de restauro que restaura pessoas.
Deixo aqui minha sugestão para todos que desejam cuidar da cidade.









