#14 – O mesmo filme, só que no país visinho

Olá caríssimos,

A Kirchner vai ter que acenar pro Macri pra evitar uma potencial eleição do Milei?

Os resultados das PASO, que é basicamente uma eleição do candidato da coligação antes de ir ao primeiro turno – além de descarte de candidatos com menos de 1% de intenção de voto, consagraram duas coisas: não subestimar a extrema-direita em nenhum lugar do planeta e que na terra dos hermanos a eleição está em aberto com três frentes e os votos em branco.

A extrema-direita de lá já tem nome e percentual possível no primeiro turno, o que acende o sinal amarelo lá e as duas forças de oposição vão ter que conversar pra evitar o que vimos aqui quatro anos atrás. Vamos aos números:

Resultado entre coligações para candidatos à presidência na PASO:

Mileismo – 30,4%

Macrismo – 28,3% (Patricia Bullrich foi 3ª colocada nas gerais, com 17%)

Peronismo-Kirchnerismo – 27,2% (Massa foi 2º colocado nas gerais, com 21,4%)

Participação na PASO: 69% (baixo em comparação a eleição de Alberto Fernandez, em 2019)

Argentina elege em outubro e está entre três frentes

O macrismo ainda é uma força politica uniformemente forte, mas em províncias (estados) acabou perdendo para o mileismo e se convertendo na terceira força politica. A votação desta PASO para a presidência evidenciou a queda.

O peronismo-kirchnerismo é a segunda força uniforme, ganha em mais províncias que o macrismo e deixou para 9 pontos a desvantagem direta de Massa contra Milei (por coligação, está entre 3 e 5%).

A figura do atual Ministro da Economia deles como candidato a presidência, que precisa de um apoio mais forte de Cristina para diminuir mais a desvantagem, já é um sinal que o UxP (União pela Pátria) vai usar os cabeças de comício a seu favor.

Numa pesquisa feita pela CrónicaTV no mês passado, considerando até quem não se candidatou ao pleito, ela foi a mais votada. Mesmo como a força política número 1, é nítido que os argentinos podem não ter votado em ninguém devido sua ausência no pleito direto.

E quando se fala em votos em branco, elas surpreenderam: algumas províncias tiveram entre 40 a 60% de votos em branco para os candidatos legislativos, especialmente aquelas que tiveram votos massivos em Milei.

Um caso à parte ocorreu em Entre Ríos, uma das poucas províncias onde o novo líder da disputa eleitoral terminou em terceiro lugar. Sua coligação levou candidatos a deputados, que tiveram o mesmo destino e ficaram bem longe do primeiro lugar. Apesar de todas as opções disponíveis, houve um alto percentual de votos em branco, acima de 24%.

Con fontes de:

Todo Noticias e CrónicaTV (vídeo)

O que tiramos de lição?

A Argentina já vinha sofrendo com problemas econômicos, tanto que a cotação do dólar acabou disparando e até ações de empresas argentinas sofreram forte queda. Mas esta vitória que assustou os dois principais polos políticos do país acende o alerta que precisa deixar de ser subestimado.

Os extremos estão de mansinho tentando retomar o controle geopolítico e social da região, a começar pelos vizinhos.

Ah, mas e os casos desses argentinos que vem aos estádios e cometem crimes aqui?

Meus jovens, a gente conhece a célebre frase do Seu Madruga sobre a vingança não ser plena, não é mesmo? Então, um desejo que os vizinhos sintam o que os brasileiros passaram em 4 anos, contém o potencial risco do tiro voltar ao próprio pé.