Ah, o Sanremão, a época perfeita pra conhecer as músicas que ou triunfam lá, ou vão além do verão italiano ou vão pro Eurovision…
E temos as senhas do porque que este ano foi a Last Dance do Amadeus (no momento). O Codacons (o Procon italiano), que até processou o John Travolta por propaganda indireta e antitruste na segunda noite do festival, fez uma forte acusação sobre o chamado “TeleMeloni”: de haver uma supervisão indireta no canal.
Além disso, o órgão também solicitou a RAI o fornecimento de todos os dados (até o momento, ocultos) sobre a votação da Stampa e da Radio, que repetiu o feito de 2019 e colocou o campeão do televoto no segundo lugar da superfinal (o que ajudou a eleger a Angelina Mango na final). Tanto as reações flagrantes e com pitadas xenofóbicas regionais como as reações da cúpula da Rai pegaram mal na rede.
Repercussões estas que vão além dos vencedores daquela noite de 10 de fevereiro. Ghali nem era um dos favoritos claros à vitória, digo, do Top 2 (que foi com Geolier: o campeão do televoto). Trouxe uma canção que tem uma letra com mensagem clara sobre imigração, bem como seu colega Dargen D’Amico. Mas a Rai preferiu ler uma mensagem de apoio direto à Israel do que debater sobre suas letras – coisa considerada perigosa pra uma emissora pública – no seu tradicional programa de domingo.
Domingo este onde uma cidade, cujas famílias palestinas que estavam sendo abrigadas para fugir da guerra, foi atacada de maneira cruel durante outro evento massivo da TV: a final do futebol americano, o SuperBowl, em 11 de fevereiro.
Ano que vem, Amadeus não dirige Sanremo, Fiorello também não estará em Sanremo. E para quem sonhou com dias melhores pós era Amadeus, temos que abaixar as expectativas – o Codacons avisa.
Saindo da cidade das flores e partindo para uma das primeiras repúblicas do mundo, San Marino, tivemos mais uma importação de um artista do festival para seu Una Voce: a eleita dessa vez foi Loredana Bertè. Ao contrário de Achille Lauro, quando participou e venceu por lá, dessa vez houve uma daquelas “gambiarras” no regulamento e “Pazza” pode ser mantida como a música candidata.
Tivemos até uma participação especial da Corona(!), do Ice MC(!), e dos Jalisse (com uma de suas inúmeras canções que tentaram o sol em Sanremo) concorrendo entre os finalistas automáticos; uma canção feita em Inteligência Artificial (talvez a EBU já tenha liberado e não sabemos); e outros finalistas de diversas partes do planeta no festival mais freaky das finais nacionais usadas para o Eurovision.
Mas não adiantou as mudanças, pois quem venceu e com méritos foram os espanhóis do Megara, que tinham disputado o festival de Benidorm no ano passado. Com a eleição, deu-se o intercâmbio de Espanha e San Marino, com Nebulossa na final e Megara na semifinal (sem contar a troca de 12 pontos no televoto).









