Passou-se praticamente um mês do final das seleções nacionais para o Eurovision. Este ano foi até imenso, enorme, ficamos extremamente ansiosos, mas gratos pelo nome de Léo Middea figurar no Top 3 do Festival da Canção da RTP, realizado em Lisboa (Portugal).
E gratos também por nomes como Carolina Deslandes e Salvador Sobral (permita-me dizer, o Midas do Festival que está vindo semana que vem aqui no Brasil) colocar o orgulho de alguns portugueses em seus devidos lugares, afinal o que fizeram lá nos grupos do Facebook era uma polêmica extremamente vazia tal qual a de parte dos italianos fizeram com o Geolier (que cantou em um dialeto do idioma italiano, o Napolitano).
Por quatro pontos, já que o televoto elegeu “…Pelas Costuras” (João Borsch), Middea e seu “Doce Mistério” ficou atrás apenas dele e de Iolanda com o “Grito”. Uma pena, já que parte do público elegeu-a considerando mais “eurovisiva” que a outra. Mas o que seria a filosofia eurovisiva de “abraçar as culturas”, através da “união pela música”? Faz parte do jogo também esquecer elas.
E antes de começarmos, preciso avisar que os geovotos pesarão mais que muita gente imaginava. A EBU anunciou que os países não competidores (o chamado Voto Global, ou ROW) vão começar a votar por volta de um dia antes de cada noite. Com isso, o Brasil tem cerca de 22h para votar em cada gala, enquanto Portugal só terá apenas todo o desfile das canções e mais alguns minutos no Dia D.
Isso vai impactar na eleição e na votação das canções de abertura dos desfiles, normalmente esquecidas pelas demais canções que ficam pelo meio do caminho ao espectador. É também uma correção ao que aconteceu no ano passado, quando a Letônia por pouco não se classificou da grande final (e venceu boa parte dos pontos pelo Voto Global).
Também considerei na avaliação o evento que aconteceu esta semana, a que poderá ser a única festa pré-festival da temporada: a Festa de Madrid e muita gente celebrou as apresentações, e há quem trate essas festas a sério como o teste pré-ensaios.
Com isso, vamos juntos avaliar as duas semifinais criteriosamente com base na canção, no palco e nos geovotos (essa parte minuciosa que muitos fãs fervorosos esqueceram, mas sentirão o peso em maio).
Semifinal 1: O Grito vai a final?
Vida fácil nenhum dos semifinalistas terá, mas após ouvir com carinho cada canção, deu pra falar de cada uma delas. Vejamos:
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Ucrânia: nem tem como questionar à mais uma ida e a manutenção do cinturão de Rainha das Semifinais. Ucrânia é que nem a Beija Flor de Nilópolis do carnaval Carioca ou a Mocidade Alegre do carnaval de SP, já era hora da EBU colocar como Big.
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Croácia: seguramente, o eurofã vai carregar a ida à final. Musicalmente é chiclete, tem mensagem, e o palco só vai confirmar a ida ao Top 3. Se vencerá a SF1, será um bom questionamento a seguir.
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Chipre: musicalmente é chiclete, do jeitinho pop que a Panik Records sempre nos brindou. Atenção: olhem o palco do time, eles não vão brincar este ano (e não brincaram na Festa de Madrid).
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Irlanda: depois de pegar o pequeno palco do Late Late Show e transformar num castelo da Transilvânia (saudades, Romênia), tudo é possível quando temos a Bambie no palco. Musicalmente não convence, mas o palco…
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Lituânia: musicalmente bem pop bop, palco bem prontinho para a semifinal, mas ela vai depender dos votos entre os vizinhos.
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Polônia: desacreditada pelo eurofã, por ter vencido o edital por apenas 1 ponto, Luna pode nos convencer pelo palco sem a necessidade dos efeitos que a TVP nos trouxe nos últimos anos. Será um choque comparado a Bejba, mas um choque bom e tem qualidade.
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Sérvia: após ter vencido a nossa Ritinha Lee (Konstrakta), a nossa Raimunda (Teya Dora) poderá ser a provável vencedora da SF1. Ótima música para a SF, o palco precisará estar no ponto, mas o time sérvio já vai contar com a diáspora pra uma segura qualificação (digamos aqui, boa parte da antiga Iugoslávia).
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Austrália: é uma canção de qualidade, apesar do clipe não ter atendido a expectativa do eurofã. Acredito que a Austrália nos brinde com o palco a verdadeira e genunina mensagem de One Milkali pra ir à final.
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Azerbaijão: alguns nem queriam que estivesse lá no festival, mas a terra do fogo (não, não estou falando do Chipre) conseguiu entregar além de uma canção de qualidade e um sentimento de Paz, um momento de irmandade de seus fãs com a Armênia.
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Finlândia: seguramente vai à final pelo fator que eles vão ter que trabalhar para não se viciarem e acabarem se perdendo no caminho – os memes. Aliás, se depender da Microsoft, os 12 pontos do Global vem aí.
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Islândia: musicalmente ok e Hera pode colher uma NC. É louvável que eles tenham apresentado a cultura de um povo, alvo de uma guerra, na sua seletiva, mas outras lições de reflexão ao país estão a ser escritas graças a esta eleição (e a baixa adesão do público).
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Luxemburgo: o retorno mais aguardado e também agridoce. Dardust é produtor também de “La Noia” (Itália), o que faz com que ele tenha que trabalhar para ter suas duas canções na final. Musicalmente: ok e com alerta de NC para a canção do ducado.
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Portugal: O Grito que não é do Ipiranga passou, voou, e chegou aonde chegou. Mesmo com a qualidade ímpar de sua produção minimalista e fogosa em termos vocais, Portugal vai novamente entrar na zona perigosa da disputa das últimas vagas (convencer a Suécia e até o Brasil a lhes votar será um dos trabalhos).
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Moldávia: outra canção musicalmente ótima e que vai precisar de um palco no ponto para assegurar sua qualificação, pois já conta com a diaspora.
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Eslovênia: aqui teremos mais uma canção da temática vampiresca, folclórica (o que a faz ganhar pontos). Musicalmente ok, mas com um palco bem coreografado, fará espantar qualquer Van Helsing que aparecer.
Então, como ficou a avaliação delas? Vamos conferir na lista abaixo:
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Vai Passar: Ucrânia, Sérvia, Finlândia, Croácia
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Vai Depender do Palco: Austrália, Polônia, Chipre, Moldávia e Azerbaijão
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Batalha dos Últimos Tickets: Portugal, Luxemburgo, Eslovênia, Irlanda e Lituânia.
Semifinal 2: Engana-se que seja uma SF fácil!
Países como Áustria e Letônia tendem a surpreender nesta data. Vejam:
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Albânia: urge um sinal para que o time reavalie a associação da FIK com o Eurovision. Muito confusa a ideia de trocar diversas vezes uma canção eleita pelo televoto, para tentar pegar o ritmo das demais classificadas ao festival. “Titan” é a canção que simboliza a confusão.
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Armênia: valeu a pena esperar os 45 do segundo tempo para conhecer a canção que possa disputar o Top 3 desta semi. Excelente proposta! Folclórica, popular, cultural e vibrante!
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Áustria: o eurodance que não pode estar nos anos 90, agora estão sendo saudadas e celebradas, mas o efeito nostalgia enfraquece com o passar das propostas. Kaleen terá que trabalhar bem no palco.
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R. Tcheca: Pedestal é uma proposta vibrante, que ficou encostada na preferência durante a temporada, mas assim que vermos um palco bem proposto, será super valorizado.
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Dinamarca: outra super proposta ao Top 3 desta Semi. Balada no ponto, palco no ponto, voz no ponto.
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Grécia: eu gostei desta proposta pop deles. É folclórica, é pop, é vibrante mesmo. Embora não seja excelente, é honesta e no ponto.
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Malta: outro país que está participando e com questões a serem feitas antes de voltar a tentar cativar o público. Musicalmente, “Loop” é ok, mas não com chances de passar.
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Suíça: Outra proposta pop, com traços folclóricos, muito bem explorados no clipe. Reproduzir o trem no palco será uma tarefa árdua, mas o Nemo entrega no ponto os vocais.
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Bélgica: a única proposta que segue fielmente aos traços artísticos da campeã do ano passado. Mustii vai entregar uma performance honesta e qualitativa.
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Estônia: sabe quando o eurofã pede algo e depois vê algo melhor e solta a mão? É o que está a acontecer aqui: a Estônia terá que trabalhar bem no palco pra provar o seu valor com a canção que enviaram.
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Geórgia: todo o chiclete bem trabalhado será recompensado. É uma canção que vai comprar o eurofã ali no palco, e tem toques da união Grécia & Chipre que temos.
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Israel: não há comentários sobre o fator música, a letra não traz uma mensagem de paz, o palco deve ser um dos mais aguardados e também não sinto que haverá segurança suficiente pra eles estarem ali (o caso do Melfest que o diga). Os apoiadores vão votar, claro, mas para chegar a classificação é mais difícil que imaginam-se.
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Letônia: uma proposta honesta, bela, e sinceramente eu concordo com o Sanio Silva (do canal Chá, Bolachas e Eurovision) do Dons cantar em letão a sua canção. Também não requer palcos mirabolantes, basta apresentar diante da galera e ponto.
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Países Baixos: eu abriria os olhos para esta proposta, tem vibes do “Cha Cha Cha”, tem os Pa Pa Pa, o palco deverá ser icônico para o momento.
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Noruega: a proposta mais diferente das duas semifinais. Um heavy metal folclórico, monumental, icônico e seguro para ser classificado.
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San Marino: aqui vamos ter a irmandade San Marino & Espanha, mas não deverá ser suficiente. A proposta dos Megara é ousada, o palco vai dar-lhes os pontos necessários, mas será daquelas que ficarão no caminho dada a qualidade que temos nesta semi.
Então, como ficou a avaliação delas? Vamos conferir na lista abaixo:
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Vai Passar: Armênia, Dinamarca, Grécia, Bélgica e Noruega
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Vai Depender do Palco: Suíça, Países Baixos e Letônia
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Batalha dos Últimos Tickets: R. Tcheca, Áustria, Estônia, Israel e Geórgia
Final: Alemanha ou França? Eis a questão!
A grande final contará com os chamados Anfitrião e o Big Five, que pela primeira vez irão se apresentar junto aos demais semifinalistas em cada noite. Será uma última chance para mostrar que não é por ser finalista que precisa ser esquecido.
E tenho uma surpresa a lhes informar: há um empate e ela necessita do palco para poder fechar a votação de quem foi a melhor Big da temporada. É entre Alemanha e França que, musicalmente falando, possuem a qualidade musical esperada de uma balada.
Em terceiro lugar, coloco a Itália com a vencedora do Sanremo: Angelina Mango não quer ser lembrada como um rostinho bonito que herdou a musicalidade dos pais, está com a proposta mais pop latina que as dos demais países latinos (se tivéssemos “Doce Mistério”, ai teríamos uma bela concorrência) e isso, meus caros, ganha votos.
No quarto lugar, está os hermanos da Espanha e com uma bela mensagem que não tem idade limite para fazer uma música dance pop, trazer uma mensagem que debocha do falso conservadorismo e trazer o sentimento de liberdade e prazer da mulher. Eu adorei a canção, mas a coloco no Top 4, devido a qualidade das demais.
No quinto lugar, temos o Reino Unido e o Olly. Uma canção pop dance gostosa, mas que infelizmente precisarei ouvir mais e assistir a performance no show para colocar numa playlist para malhar.
E, em sexto lugar, coloco os anfitriões da Suécia. Coloco eles aqui devido a uma sensação que tenho em relação ao time anfitrião: a fórmula de sempre enviar canções de eletropop, quando temos uma gama imensa de gêneros musicais que poderiam muito bem lhes representar. A canção não precisa sair dos chamados “campos de escrituras de canções para o festival eurovision”, precisa sair da alma. É preciso rebobinar a fita, respirar e entender o motivo do público estar começando a se cansar dela e de outros países nórdicos no festival.
Aliás, é preciso também lembrar a todos os fãs sobre o motivo do lema do festival ser a “união pela música” (ou também “música é sentimento”) e deixar para trás qualquer rastro de que o festival seja apenas para europeus, quando na verdade, a Europa colonizou o planeta e o planeta quer cada vez mais participar de eventos da canção popular que jamais foi restrita apenas ao continente.









