“Mamãe (Françoise Hardy) partiu”. Assim anunciou seu filho, Thomas Dutronc, no final de 11 de junho de 2024, pelas redes sociais. Era o fim da trajetória de 80 anos, mais de seis décadas dedicadas não apenas a carreira musical, mas além: Hardy deixou um legado que atravessou gerações – e que pouquíssimos possuem este privilégio de cativar, de conquistar, através do talento, da magia e da elegância.
No chat da redação, Mandy Cherem disse: “O mundo adorava ela. Todos queriam copiá-la. Todos queriam vesti-la, e ela levou até mesmo a bossa nova para o hexágono”.
Sua carreira iniciou no começo dos anos 60, em um dos primeiros programas de TV que descobriam jovens talentos. Ela conseguiu um contrato com uma gravadora que buscava levar uma nova onda musical na França e na região, o yé-yé (inspirados nas canções dos Beatles e dos Rolling Stones).
Deu certo: “Tous Les Garçons Et Les Filles” (destacada no vídeo inicial) entrava nas rádios da região e além dela, um sucesso internacional e atemporal desde seu lançamento, em 1962. No ranking das 200 melhores cantoras de todos os tempos da revista americana Rolling Stone em 2023, ela foi a única representante dos francófonos.
No mesmo ano, outra canção dela entrava na onda das rádios e conquistava o gosto popular – e também a atemporalidade: “Les Temps de L’Amour” evocava o amor, a doçura, com uma voz sóbria (que nos remete à Maysa). Outro sucesso e um convite para representar o principado de Mônaco no Eurovision aconteceu, ela aceitou e os europeus conheceram a sua magia pela televisão.
Com um universo de canções, de poesias, de experiências gigantescas, fica muito difícil dizer de maneira simplificada quem foi essa artista genuína. Afinal, além do canto e da composição, Hardy se aventurou na astrologia, na moda, no cinema, no engajamento político… – e tudo isso mantendo a discrição sobre sua vida pessoal (ela foi casada com outro músico importante na cultura pop francófona, Jacques Dutronc) da pública.
As melhores canções, que elegemos na redação
O grupo da redação do Urbanna elegeu algumas canções e vamos apresentar algumas delas para você conhecer melhor o que foi uma pontinha do que os mais jovens pode chamar de Hardyverso. Vamos conferir:
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Paulo Buiar – “Le Temps de L’Amour” (mencionado acima)
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Mandy Cherem e Dan Barion – “La Question” e “La Chanson D’O”
Esse álbum inteiro (ou quase) foi composto pela (brasileira) Tuca, exceto “Rève”, que é do Taiguara. “La Question” foi um álbum bem fora da caixinha para a Françoise, pois ela teve que ensaiar as canções antes de gravar, pq era um estilo e compasso totalmente diferente do que estava acostumada. Sem contar que existe uma temática sensual em todo o álbum.
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Dan Barion – “À Quoi Ça Sert”
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Mandy Cherem – “Première Recontre”
Ela fez o ye-ye e a chanson se unirem… Cantava de Celentano a Leonard Cohen e popularizou Gainsbourg e Michel Berger mundialmente. Grita Michel Berger, é uma das melhores canções dela.
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Camila Leite – “Partir Quand Même”
Aqui temos uma canção que pode ser ressignificada, pois Hardy era uma das vozes ativas pela morte assistida, a eutanásia, e a canção que fala de partidas desde o primeiro estrofe. Uma ode à melancolia, mas com seus toques musicalizados pelo então marido.
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Mandy Cherem – “À Suivre”
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Dan Barion – “Rendez Vous Dans Un Autre Vie”
As homenagens
Desde o anúncio final de sua vida na Terra, o clima na França, na Europa e no mundo musical é de luto. De Michel Polnareff à Calogero, de Mireille Mathieu à Étienne Daho, e até mesmo por Jimmy Sommerville (do hit mundial “Smalltown Boy”) uma grande questão que pairou foi “como dizer adeus” (alusão à canção escrita por Serge Gainbourg, em 1969, e remixada por Sommerville quase vinte anos depois).
Até na classe política essa questão pairou, o presidente da República, Emmanuel Macron, e a ex-primeira-dama, Carla Bruni, reagiram sob essa questão em suas publicações. Sua perda foi sentida por todos os lados do espectro político.
Mireille Mathieu, uma das últimas vozes vivas da popular chanson francesa, disse uma nota tocante:
Françoise seguirá uma verdadeira ícone da cultura pop francesa, como dizer adeus, ela deixou os rapazes e moças hoje (11 de junho, dia de sua morte). Sua voz envolvente e seu estilo de uma elegância inigualável ficarão em nossas memórias.









