Antes, fica o registro: Walter Salles conseguiu trazer esse premio pra gente! Com as Fernandas, o Selton, a Suri e todo um elenco nos uniu por algo que só vi parecido no Penta do Brasil!
Carnaval e Festivais da Canção ou Carnaval e Oscar? Com que roupa eu vou, hein Noel Rosa? A cerimônia aconteceu no maior evento após o Réveillon, aliás, aqui no Brasil se diz: todo ano começa depois do Carnaval.
E o clima foi pra uma campanha a um filme que até nós demoramos para descobrirmos que filme estava sendo indicado, nos contando uma história real e forte, e que provou o que já estava entalado na garganta, não é mesmo? É tempo de Rubens Paiva e Eunice, assim como é tempo de tantos e tantos que se foram por causa da Guerra Fria e da vontade de tornar a América Latina serva de um país, hoje em crise.
Falando em crise: vamos aos piores momentos de ontem
A cerimônia morna, sem menção alguma a comunidade Trans, por parte dos vencedores e responsáveis pelo concorrente e ex temível “Émilia Perez” confirma por si só que ainda teremos Pink Washing daqui pra frente a vencer as estatuetas. Podemos até dizer que a Karla Sofia Gascón, cuja carreira daqui pra frente é uma incognita, foi usada.
A Zoe Saldaña, coadjuvante no filme, está neste momento enfrentando o grande dilema de sua carreira – já fragmentada após descobertas de ataques à comunidade colombiana ao defender um outro filme francês onde atuou: “Colombiana” (e pasmem: anunciaram sequencia). Nesta ultima madrugada, Saldaña, filha de dominicanos e porto-riquenhos, foi pedir desculpas ao México e teve sua orelha muito bem puxada por jornalistas da região.
A outra vencedora do filme, Camille, falou sobre a canção ser uma ode contra a corrupção, mas com o uso da IA no filme fica difícil defender a cantautora da canção tema do amado filme “Ratatouille”.
Aqueles foram os únicos momentos de glória para um filme que tinha tudo para ser o grande vencedor da noite, junto ao “Brutalista” e perderam. A inteligência artificial e seu uso foi a grande narrativa vencedora do Oscar e, custe o que custar, as empresas já deram o iniciar, os sindicatos ainda não – e serão pressionados daqui pra frente.
Thimotée Chalamet poderia muito bem ter vencido Adrien Brody, tal como Fernanda Torres ou Demi Moore ter vencido Mikey Madison. Aliás, a premiação ainda vai seguir o lenga-lenga de sempre: premiar ou não a nova geração sem cometer etarismo? Aqui, eles cometeram em Melhor Atriz.
E sobre “Anora”, o filme que veio na disputa para “penalizar” os outros dois filmes? Este foi o vencedor da noite, mas guardem ao que direi: não merecia. Não pela narrativa que se queria falar ali, mas pelo seu realizador – e guardem esse nome: Sean Baker.
Podemos ter testemunhado uma vitória de um filme que “se preocupa”, mas tem cara e cheiro de Sex Washing, pelas ações de Baker fora do filme. Na base do bolo: uma acusação por assédio sexual e buscas por fetichização – contando com modelos de Inteligência Artificial; na cereja, apoio a um supremacista assassino (e já teve cornetada ainda em Cannes).
Finalmente, um Oscar pra nós e nossos primos
Agora sim, vamos falar dos melhores momentos que colocaram muita gente para gritar “É Campeão” e “Sem Anistia” nas ruas. O momento que levou 97 anos para acontecer. Senhoras, senhores e não binaries, o Oscar chegou na categoria que tínhamos mais chances: Melhor Filme Internacional. Só não foram três prêmios lá por causa dos votos na “Anora”.
A celebração aqui, em pleno Carnaval, nos faz pensar: já que finalmente ganhamos, vamos agora disputar em tudo que vier pela frente (ah, isso inclui Eurovision e Nobel).
O clima já era bom, ficou melhor com os parabéns dos mexicanos, dos italianos, dos portugueses e até mesmo dos letões. Aliás, eles já são nossos irmãos desde o Eurovision de 2018, quando eles escolheram a carioca Laura Rizotto para lhes representar na edição histórica de Lisboa.
E quem venceu o melhor desenho? O gatinho mais querido da Letônia e do mundo: “Flow” venceu a Disney e a cidade de Riga, eufórica pelo seu primeiro Globo de Ouro, agora ganhou um Oscar pra chamar de seu! Meow!
Mas o melhor momento mesmo veio no Melhor Documentário em Longa Metragem: “Sem Chão”. O retrato palestino israelense é um tapão na cara aos apoiadores da “apolítica” e da Art Washing do governo israelense. Um retrato fiel do que acontece, é noticiado por corajosos jornalistas, por corajosas pessoas que falaram claramente: há saída e ela deve ser realizada como tal (e pensem na cara do Sean Baker naquele momento de climão).
Isso inclui Ucrânia, a qual seu Trump quer uma “negociação” que não é para a paz, era uma concessão para pegar lítio de graça para aqueles carros elétricos. O Zelensky saiu humilhado por Trump, sim, e deveria ter ouvido o conselho do Lula. Mas ele vai ser ainda apoiado pelo Ocidente que começa a mexer num Trump Out. É só ver a saudação de Daryl Hanna ao povo de Kiev na apresentação.
E esta foi a noite do Oscar de 2025. Brasil até já começou a correr atrás de um potencial candidato para 2026, em meio a incertezas dos EUA em tentar sobreviver ao Trumpismo e Muskismo.










