Oscar 2025: Brasil, Letônia, Palestina e até a Ucrânia (sem ser indicada) venceram!


Antes, fica o registro: Walter Salles conseguiu trazer esse premio pra gente! Com as Fernandas, o Selton, a Suri e todo um elenco nos uniu por algo que só vi parecido no Penta do Brasil!


Carnaval e Festivais da Canção ou Carnaval e Oscar? Com que roupa eu vou, hein Noel Rosa? A cerimônia aconteceu no maior evento após o Réveillon, aliás, aqui no Brasil se diz: todo ano começa depois do Carnaval.

E o clima foi pra uma campanha a um filme que até nós demoramos para descobrirmos que filme estava sendo indicado, nos contando uma história real e forte, e que provou o que já estava entalado na garganta, não é mesmo? É tempo de Rubens Paiva e Eunice, assim como é tempo de tantos e tantos que se foram por causa da Guerra Fria e da vontade de tornar a América Latina serva de um país, hoje em crise.

Falando em crise: vamos aos piores momentos de ontem

A cerimônia morna, sem menção alguma a comunidade Trans, por parte dos vencedores e responsáveis pelo concorrente e ex temível “Émilia Perez” confirma por si só que ainda teremos Pink Washing daqui pra frente a vencer as estatuetas. Podemos até dizer que a Karla Sofia Gascón, cuja carreira daqui pra frente é uma incognita, foi usada.

A Zoe Saldaña, coadjuvante no filme, está neste momento enfrentando o grande dilema de sua carreira – já fragmentada após descobertas de ataques à comunidade colombiana ao defender um outro filme francês onde atuou: “Colombiana” (e pasmem: anunciaram sequencia). Nesta ultima madrugada, Saldaña, filha de dominicanos e porto-riquenhos, foi pedir desculpas ao México e teve sua orelha muito bem puxada por jornalistas da região.

A outra vencedora do filme, Camille, falou sobre a canção ser uma ode contra a corrupção, mas com o uso da IA no filme fica difícil defender a cantautora da canção tema do amado filme “Ratatouille”.

Aqueles foram os únicos momentos de glória para um filme que tinha tudo para ser o grande vencedor da noite, junto ao “Brutalista” e perderam. A inteligência artificial e seu uso foi a grande narrativa vencedora do Oscar e, custe o que custar, as empresas já deram o iniciar, os sindicatos ainda não – e serão pressionados daqui pra frente.

Thimotée Chalamet poderia muito bem ter vencido Adrien Brody, tal como Fernanda Torres ou Demi Moore ter vencido Mikey Madison. Aliás, a premiação ainda vai seguir o lenga-lenga de sempre: premiar ou não a nova geração sem cometer etarismo? Aqui, eles cometeram em Melhor Atriz.

E sobre “Anora”, o filme que veio na disputa para “penalizar” os outros dois filmes? Este foi o vencedor da noite, mas guardem ao que direi: não merecia. Não pela narrativa que se queria falar ali, mas pelo seu realizador – e guardem esse nome: Sean Baker.

Podemos ter testemunhado uma vitória de um filme que “se preocupa”, mas tem cara e cheiro de Sex Washing, pelas ações de Baker fora do filme. Na base do bolo: uma acusação por assédio sexual e buscas por fetichização – contando com modelos de Inteligência Artificial; na cereja, apoio a um supremacista assassino (e já teve cornetada ainda em Cannes).

The SS Ben Hecht, by Stephen Silver
Fin: Don’t judge a movie by the director’s Twitter likes
The Cannes Film Festival is over, and the big winner was Anora, American filmmaker Sean Baker’s latest film, which took home the Palme d’Or. The film is described in the New York Times as “a giddily ribald picaresque from the American director Sean Baker about a sex worker who marries the son of a Russian oligarch — and things get very messy.” Anora was picked up by NEON — distributor, now, of five straight Cannes winners — and should arrive in theaters later this year…
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Finalmente, um Oscar pra nós e nossos primos

Agora sim, vamos falar dos melhores momentos que colocaram muita gente para gritar “É Campeão” e “Sem Anistia” nas ruas. O momento que levou 97 anos para acontecer. Senhoras, senhores e não binaries, o Oscar chegou na categoria que tínhamos mais chances: Melhor Filme Internacional. Só não foram três prêmios lá por causa dos votos na “Anora”.

A celebração aqui, em pleno Carnaval, nos faz pensar: já que finalmente ganhamos, vamos agora disputar em tudo que vier pela frente (ah, isso inclui Eurovision e Nobel).

O clima já era bom, ficou melhor com os parabéns dos mexicanos, dos italianos, dos portugueses e até mesmo dos letões. Aliás, eles já são nossos irmãos desde o Eurovision de 2018, quando eles escolheram a carioca Laura Rizotto para lhes representar na edição histórica de Lisboa.

E quem venceu o melhor desenho? O gatinho mais querido da Letônia e do mundo: “Flow” venceu a Disney e a cidade de Riga, eufórica pelo seu primeiro Globo de Ouro, agora ganhou um Oscar pra chamar de seu! Meow!

Mas o melhor momento mesmo veio no Melhor Documentário em Longa Metragem: “Sem Chão”. O retrato palestino israelense é um tapão na cara aos apoiadores da “apolítica” e da Art Washing do governo israelense. Um retrato fiel do que acontece, é noticiado por corajosos jornalistas, por corajosas pessoas que falaram claramente: há saída e ela deve ser realizada como tal (e pensem na cara do Sean Baker naquele momento de climão).

Isso inclui Ucrânia, a qual seu Trump quer uma “negociação” que não é para a paz, era uma concessão para pegar lítio de graça para aqueles carros elétricos. O Zelensky saiu humilhado por Trump, sim, e deveria ter ouvido o conselho do Lula. Mas ele vai ser ainda apoiado pelo Ocidente que começa a mexer num Trump Out. É só ver a saudação de Daryl Hanna ao povo de Kiev na apresentação.

E esta foi a noite do Oscar de 2025. Brasil até já começou a correr atrás de um potencial candidato para 2026, em meio a incertezas dos EUA em tentar sobreviver ao Trumpismo e Muskismo.