#41 – Sobre virar USPiana e voltar às aulas

Por onde começa uma virada?

Era 9 de fevereiro. Primeiro dia de aula — e que começo bonito. A escola, renovada, parecia respirar novos ares. Eu reencontrava as turmas que acompanho desde 2024 e, junto com elas, aquela pergunta que já virara personagem fixo da rotina:
“A Camila continua na escola? Até quando?”

Entre uma aula e outra, eu corria atrás de respostas. Coordenação, inscrições para concurso, conferência com as regras do INSS, listas da Fuvest… Tudo ao mesmo tempo. E ainda havia o acolhimento da primeira turma de Informática do noturno, no modelo MTEC, chegando com expectativas frescas e olhos atentos.

Cada aprovação mexia nos horários, reorganizava planos e reabria perguntas. Era começo de semestre, mas parecia também começo de algo maior — daqueles que a gente sente antes mesmo de entender.

No dia seguinte, após a aula inaugural de Projetos com a turma de RH, ao lado do novo professor da casa (porque, sim, a Bartô sempre foi uma casa para mim), abri o e-mail sem cerimônia… e lá estava:

“Bem-vinda à Universidade de São Paulo.”

Não caiu a ficha. Não naquele instante.
Foram 15 anos. Duas tentativas. Uma ida para a Federal, outra para a Fatec, uma pós na PUC… E no meio do caminho, a decisão de ensinar. A descoberta de gostar. O compromisso de incentivar alunos a sonharem com a universidade. A descoberta que a sua prima e uma de suas alunas passou na primeira chamada…

E então… você passa.

A reação foi simples e absolutamente verdadeira:
“LUUUU, PASSEI NA USP!”

Corri pelo corredor com o celular na mão e um coração que parecia maior que o corpo. A comemoração começou ali mesmo, em pleno expediente. Coordenadores com brilho nos olhos, abraços espontâneos, e eu já trazendo o estojo com as canetas para registrar o momento. Foi assim que nasceram minhas primeiras fotos nas escadas da escola recém-reformada — um cenário que aguardava sua própria cerimônia, marcada simbolicamente para o primeiro dia de aula na universidade.

E como não falar da casa?

Para quem cresceu imaginando mundos possíveis através do Harry Potter, Star Wars, aquele ambiente tem algo de mágico. Cada ano com sua cor, cada detalhe com personalidade própria. Nem o ventilador escapou — amarelo vibrante, quase um “minions”, como se a escola assumisse orgulhosamente sua estética viva e acolhedora.

Talvez seja isso que chamamos de pertencimento: um lugar que nos forma enquanto testemunha nossas transformações.

Entre dúvidas, corredores e e-mails abertos sem expectativa, descobri que algumas respostas chegam no momento em que a gente já aprendeu a persistir.

E assim começou um novo capítulo. Não planejado, mas profundamente merecido.


  1. Lu é a diretora/superintendente da Bartô.

  2. Curiosamente, acabo sendo aprovada para uma pós graduação EaD (2026/2027) no Centro Paula Souza, o instituto onde estão as Etecs e Fatecs. Isso aconteceu anteontem, e só pude conferir no final do Show da Física.