Em primeiro lugar, preciso chamar sua atenção, meu caro, para uma coisinha: ainda somos tratados como párias no hemisfério norte. Mesmo com alguns avanços, a mídia internacional insiste em nos retratar de forma estereotipada. Vejam, por exemplo, este post do britânico The Times, que nos chamou de párias. E olha que o Brasil, com sua independência declarada em um Sete de Setembro, tem aquele espírito virgiliano de ‘mexeu com você, mexeu comigo’ (obrigado, Marcia Goldschmidt!).
O contexto aqui é o Inter/BricsVision, recentemente reestabelecido pelo russo Putin. Um festival que, assim como o Eurovision, parece mais um playground para líderes como Erdogan e Netanyahu, que já venceram edições passadas (2003, Turquia; 2008, Rússia; 2018, Israel). Mas, afinal, se eles governam seus países de forma tão questionável, por que ousam chamar o Brasil de pária?
Simples: porque não aceitamos ser a ‘pátria da serventia eterna’. Todo bom brasileiro tem na cabeceira, pelo menos, um livro de crônicas de Nelson Rodrigues e ‘O Povo Brasileiro’, de Darcy Ribeiro. Juntos, eles formam uma bíblia indispensável sobre o que o mundo deveria saber sobre nós.
Mas afinal, e esse Inter/BricsVision? Vai ter algo à brasileira?
Será a mesma coisa que acontece com o festival Our Generation. A versão júnior do festival já existe, o Brasil já venceu, mas o interesse é totalmente nichado. Nem exibido na TV aberta foi! Se bobear, o festival adulto também seguirá neste caminho: sem qualquer participação de Iza ou Anitta, mas sim de cantores gospel ou da agro music (se eles tiverem interesse, afinal, eles são mais fechados com os EUA).
EUA, inclusive, que tratou muitissimo mal um dos nossos Deuses da Música Popular Brasileira. Milton Nascimento teve sua entrada negada na área onde ficaram os artistas finalistas e o próprio até recusou ficar na arquibancada, a convite da produção do Grammy. Sim, aquela premiação que premiou Beyoncé, teve aquele nude lá, o The Weekend voltando… e nenhum deles se pronuciou sobre Milton! Isso diz tudo!
O Brasil está participando nas votações mundiais do festival Eurovision e já está sondado em ser um dos participantes do projeto ibero-americano do show. O Reino Unido, onde fica o jornal Times, participa atuando na final. Mas, apesar dos problemas sérios da edição, a terra do Rei Charles zerou no televoto ano passado. Então, a pária tá em outro lugar, mas não no Brasil. Respeito, por favor!









