#FalaMilla: Um remédio amargo e necessário

O que vou falar sobre o caso entre Israel e o Eurovision vai render altas doses reflexivas tanto entre o público aqui do urb como nos fóruns dos fãs do festival.

A começar porque foi correta o anúncio da delegação islandesa ontem – e era muito esperada – de realizar o festival Söngvakeppnin de maneira independente do Eurovision. O mesmo ocorre em mais dois países: Finlândia e Noruega.

Vamos rebobinar à fita para 2018: a participação de Israel era incerta, a TV estatal KAN ainda nem tinha sido aceita na EBU até o final de 2017.

Havia, além de um conflito que nem é recente, os pedidos para a não participação de Israel em Lisboa. Todos vindos das entidades de apoio à Palestina na região. O que é que o público (nós, os fãs, no caso), a EBU, as emissoras e os blogs fizeram em relação aos pedidos em 2018? Nada! Esta é a resposta concreta. Seguiram o conselho da chamada “apolítica“ do festival na ocasião.

Além disso, na época os blogs fizeram recortes de reportagens sobre o campeão do festival àquela altura, o Salvador Sobral, que mal estava se recuperando de um transplante no coração – e que tinha que entregar o troféu pra alguém – coisa que até então não acontecia na história do festival. Hoje, temos o protocolo sobre o campeão poder se ausentar da entrega do troféu em caso de problemas de saúde.

Daí, houve a campanha maciça para a canção de Israel, que venceu numa apertada disputa com o Chipre e a Alemanha – que espantava aquele fantasma do bottom pela única vez nestes últimos anos de participação.

Uma campanha que deu certo naquele ano, seis anos atrás, mas e agora? Será que chegou a hora de nós, fãs do festival, pedirmos desculpas àquele povo sofrido por eleger – em nome de um meme daqueles pra emoldurar na parede – uma canção que até foi processada por plágio?

As respostas vindas do chamado novo público do festival e das militâncias sobre os dois estados, estão nos sinalizando que sim – devemos pedir desculpas pelo episódio de 2018.

A Iugoslávia e a Rússia foram desclassificadas pela mesma razão: a guerra. Uma foi desclassificada através de uma resolução internacional emitida dias após a realização do evento em Malmö, que é a cidade sede desta edição de 2024. A outra, foi desclassificada através da pressão de nove emissoras – nenhuma vinda dos finalistas automáticos – à EBU.

Neste momento atual, tivemos cinco manifestos (dois questionamentos e três protestos) das emissoras – e novamente sem nenhum dos finalistas automáticos se manifestando sobre Israel.

A EBU talvez não consiga manter mais uma de suas delegações problemáticas, uma vez que a CIJ vai anunciar as medidas sobre Israel nesta sexta-feira (26).

Das nove delegações que bateram o pé sobre a Rússia e das cinco sobre Israel estão Noruega, Islândia e Finlândia. E a delegação islandesa sempre manteve firme o orgulho que este país detém a marca de 99% de audiência na TV. Tenham certeza: esta marca, a EBU não vai apostar em perder.