Na última publicação, soubemos que Israel já era alvo de boicote de artistas e espectadores do chamado bloco nórdico (Noruega, Finlândia, Irlanda, Suécia, Dinamarca, Reino Unido e Islândia). Pois bem, o boicote aumentou e vamos explicar um pouco mais.
A começar pelo grupo de artistas finlandeses que protesta contra a participação de Israel no Eurovision devido à guerra em Gaza. Foram mais de 1.400 artistas e bandas finlandesas que assinaram o documento que será entregue à emissora pública YLE. Entre eles estão nomes como Olavi Uusivirta, Paleface e Axel Ehnström, que representou o país no festival em 2011.
A acusação apontada pelos manifestantes é a mesma vista na Islândia: acusação de duplo padrão, alegando que a YLE e a RUV foram rápidas em exigir a proibição da Rússia em 2022 e esperam o mesmo sobre este caso. Lukas Korpelainen, um dos autores da petição, explica que considera inaceitável a participação de Israel no Eurovision como uma tentativa de “polir sua imagem”.
Até um dos artistas do próprio festival nacional, UMK, declarou em não participar do festival internacional se Israel seguir confirmada. A YLE não declarou que plano alternativo fará, mas admite que a EBU ainda não se decidiu em meio ao sentimento de boicote.
Na terra do Rei Charles, o artista Olly Alexander (que vai representar o país nesta edição) havia assinado uma petição promovida pelo grupo ativista LGBTQ+ Voices4London.
A petição que inclui um apelo por um cessar-fogo em Gaza e a permissão para a entrada de ajuda humanitária em áreas afetadas, critica as atrocidades da guerra e o sentimento de assistir a um genocídio em tempo real e o apelo à comunidade queer para não permanecer em silêncio.
O jornal britânico Guardian reportou que as instituições de caridade que criticaram Olly e muitos outros britânicos está na mira das autoridades por ser “extremamente partidária“. Estas instituições, junto a Embaixada de Israel tentaram convencer a BBC a trocar o artista representante, hoje favorito à vencer o festival.
Na Espanha, parte do bloco ibérico, a repercussão é similar. A HOD da delegação espanhola e membra do Grupo de Referência do festival, fez a seguinte declaração durante a conferência que abriu os trabalhos do Festival de Benidorm:
“Isso foi discutido no grupo de referência. Nenhum país disse que não iria comparecer por causa das terríveis circunstâncias que estão acontecendo no Oriente Médio.”
A repercussão se aprofundou até nas concorrentes da RTVE, em especial do programa vespertino da La Sexta. Iñaki Lopez criticou abertamente à decisão do Eurovision de permitir a participação do time israelita e da a presença histórica da política no festival (algo que a EBU nega).
Enquanto a tensão aumenta, o festival planeja realizar no dia 30 o sorteio das semifinais – mesmo sem saber do resultado do julgamento sobre Israel no Tribunal Internacional de Justiça.
O governo da África do Sul decidiu processar o governo israelense por genocídio e ambos os países já estão se pronunciando diante da corte. A decisão, segundo especialistas, poderá não tardar e ainda conta com o caso da Bósnia como um precedente similar.









