Investigações e Queixas marcam o Eurovision 2024

Bambie Thug, da Irlanda, se apresentando em Malmö

Imagem: Sarah Louise Bennett

O dilema vai continuar! Pelo menos, é o que aponta as reportagens na Europa que confirmaram a existência de uma investigação dentro da EBU sobre as queixas de treze dos trinta e sete países que competiram neste ano no Eurovision. Este número pode aumentar, uma vez que há uma nota aberta e anônima (por enquanto) que conta a potencial alegação desta investigação – o comportamento da delegação de Israel nos bastidores.

Dos treze países que sabemos que prestaram suas queixas, já conhecemos uma boa parte: estão Portugal, Noruega, Países Baixos, Irlanda, Suíça (a vencedora), Espanha, Eslovênia, Sérvia, Lituânia e ainda resta saber as outras nacionalidades que prestaram as queixas. E o wiwibloggs aponta que o atual diretor executivo do festival, Martin Österdahl, esteja sob discrição profunda (o que pode deduzir com que ele receba o ônus de tudo isso).

O episódio, aliás, é aquele que complementa sobre a trajetória do Caso Israel, que se desdobrou no Caso Joost Klein (que foi encaminhado ao Ministério Público Sueco, com novas audiências marcadas com as testemunhas). Todos os países, sem exceção, seguiram na tendência otimista – vinda da direção do festival e dos patrocinadores -, e o saldo disso tudo foi desastroso, polarizante e nada seguro para todos. Já se sabe até mesmo que a Noruega pode se ausentar do próximo ano.

Este ônus sentido pelas delegações e pelos artistas, de fato, deveria ser evitado. Também tivemos a história fake sobre um tabloide da Noruega ter “dito” que seis delegações participariam de uma suposta debandada na final de 11 de maio – isso foi desmentido por todas elas (aqui: Portugal, Irlanda, Noruega, Grécia, Suíça e Reino Unido).

O fato da União Europeia prestar uma queixa formal a direção da EBU sobre o veto praticado a bandeira da organização continental foi considerado como extremamente grave até para o público. Isso é como se um evento aqui na América do Sul – englobando todos os seus países – não contasse com a bandeira do próprio Mercosul.

Isso somando ao veto, que também aconteceu, com quase todas as bandeiras relacionadas ao público LGBTQIA+, a EBU foi pedir desculpas esta semana em sua nota, mas já recebendo as críticas sobre seu “duplo padrão” e falta de uma escuta ativa ao público e aos artistas. Aqui engloba uma parcela significativa do público do show, junto à geração Z e as mulheres.

E agora?

A EBU, organização que nasceu com o pensamento pan-europeu, já trata o Eurovision como evento global. Isto é, evento que transcende as fronteiras europeias, portanto as participações como a da Austrália e o televoto global vão continuar.

Ao passo que o holandês Joost está buscando provar sua inocência, a EBU ainda terá que lidar com o fato da cidade de Malmö não querer receber tão cedo o seu evento depois dos prejuízos contabilizados. Só pela segurança, conjunta com Noruega e Dinamarca, foram gastos 2 milhões de euros, com diversos cancelamentos, protestos justos, e pouco retorno ao município.

Outra coisa que também podemos afirmar são as promessas vindas da organização sobre eventos relacionados ao show, porém, sem informações concretas sobre quando, onde e quem irá participar. É o caso do EuroLatam: a versão latino americana – que sucederia o Festival OTI e o projeto Hispanovision, criado pela RTVE com as emissoras da região – está sem essas informações e corre o risco de ser apenas mais um anúncio em vão da organização.

E o caso do app?

A nosso pedido, protocolado, o Procon de São Paulo questionou o app sobre os problemas apontados em 11 de maio, porém não recebeu respostas do aplicativo dentro do prazo estipulado (que foi até semana passada). Como a transmissão original já está disponível pelo canal oficial no YouTube, deu-se a entender que parte do problema foi resolvido.

Porém, a outra parte não solucionada e tampouco resolvida nos mostra onde precisamos abordar: a falta tanto a opção do áudio original como a opção da LIBRAS no aplicativo, a comunicação feita às pressas pela mesma, a questão da TV Cultura estar ausente da transmissão (mesmo no status de associada)… Isso tudo nos fez chegar a esta conclusão: não vamos divulgar o nome do aplicativo e também dos profissionais, em protesto cibereducativo.


Opa, tudo bem?

Eu sou a Camila e escrevi este estudo “Consumismo, Moralidade e Excessos da Sociedade Digitalizada”, disponível em livro nos formatos físico e digital pela Editora Dialética.

Livro

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Mas caso não puder comprar e querer ler, vou dar uma dica valiosa: ela está disponível nas bibliotecas digitais da sua faculdade (ex. Unesp) e/ou da sua cidade (ex. São Bernardo do Campo).