sobre o perigo da abstenção ou boicote

Fenômeno mundial, a abstenção é como um coringa: ajuda ou atrapalha ainda mais aquele problema. Imagem: The Spectator

Já ouviram falar da palavra abstenção? Ou da palavra boicote? Parece grito de resistência ou resiliência, vindo de quem quer protestar, cobrar pelo seu direito, mas os efeitos estão surtindo o contrário do que se espera. Nos episódios recentes dos noticiários políticos ou até de eventos, um boicote pode levar a vitória daquela coisa problemática.

Exemplo: quando você vê as campanhas eleitorais, e você vê que o candidato da direita é ruim e lidera as pesquisas de voto, mas também não se identifica com o da esquerda ou centro-esquerda e acaba literalmente se abstendo de votar. Por mais que seja um direito a ausência, mediante o pagamento de multa (mais barata que uma passagem de ônibus para o Terminal Butantã), sabe quem você tá ajudando sem querer? O candidato da direita.

Vamos ao exemplo na prática: Argentina, 2025. Quarenta anos após suas primeiras eleições democráticas, o governo mais impopular, draconiano, e que não consegue nem pagar o FMI venceu as eleições legislativas por causa da abstenção.

Isso não é diferente das eleições municipais brasileiras ou das futuras eleições do Brasil e de outros países. A abstenção de 30 a 35% vistas em várias decisões, de um lado, mostra que estes são os nem nem políticos.

Como assim nem nem políticos? Nem esquerda e nem direita? Nada disso. Essa quantia significativa vista não se sente representada por nenhum dos candidatos ou plataformas, mas também não quer participar deste processo que temos no regimento coletivo de sociedade.

É como se 1 em casa 3 pessoas aptas a escolher uma pessoa que vai buscar fazer o zeladoria do bairro, da cidade, do país, literalmente, não querer participar, pois pensa que nada disso mudaria a situação e vai pensar no dia dia dela.

Será necessário não apenas olhar estes dados como “ah, 33% como os de sempre” e pesquisar de maneira profunda sobre todas as influências que os fazem em não querer participar. Seja as redes sociais, igrejas, bares, todos os detalhes serão necessários para entender profundamente este pedaço da sociedade que não quer se indispor, mas que abriu o buraco.


Fonte da imagem: L’abstention: the third option for France | The Spectator