#17 – A Defesa da Democracia e a Proteção da Saúde Pública: Perspectivas de Biden, Pacheco e Medidas Climáticas no Rio de Janeiro

Caríssimos,

Hoje o comentário é, novamente, sobre a relação política x democracia x gestão do clima ambiental. Esta semana começou os debates das eleições dos EUA (querendo ou não, ela ainda impacta pela região toda), além da recente tentativa de golpe militar na Bolívia – felizmente frustrada e paleamente solucionada -, além da possibilidade de haver pelo segundo ano seguido uma primavera/verão perigosa no Brasil. Vamos ao ponto à ponto.

Biden e a Ameaça à Democracia Americana: partido democrata se preocupa e Obama o apoia

Em um comício recente, o atual presidente (e virtual candidato à reeleição) dos Estados Unidos, Joe Biden, demonstrou uma energia renovada ao se dirigir a uma multidão barulhenta, apesar de ter encarado um resfriado na noite que acendeu um sinal amarelo sobre sua candidatura.

Logo após ele não conseguir responder à altura de Trump no debate promovido pela CNN, alguns analistas e líderes democratas sugeriram a possibilidade de substituir Biden por outro nome forte do partido antes das eleições de novembro. Porém, ele deixou rapidamente claro que não tem intenção de desistir, que acredita na capacidade de liderar o país novamente, mesmo com as limitações físicas e de idade. O ex-presidente Barack Obama defendeu seu então colega (VP na sua gestão), minimizando a importância de uma noite de debate ruim e reafirmando a escolha entre a honestidade de Biden e as mentiras de Trump.

No comício, Biden utilizou seu tempo no palco para criticar fortemente o ex-presidente Donald Trump, destacando que seu retorno à Casa Branca representaria uma ameaça direta à democracia americana. Ao reconhecer suas limitações físicas e de fala, mas reafirmou sua determinação e compromisso com a verdade. “Eu sei que não sou um homem jovem. Eu sei que não ando tão facilmente como antes, não falo tão bem como antes, não debato tão bem como antes, mas sei o que sei. Eu sei dizer a verdade”, declarou Biden com firmeza.

Ele acrescentou que não concorreria à reeleição se não acreditasse completamente em sua capacidade de liderar o país, destacando os riscos elevados de um segundo mandato de Trump, chamando o ex-presidente de “onda de crimes de um homem só”, em referência aos inúmeros processos e julgamentos que Trump enfrenta. Em seu discurso, buscou definir a eleição como uma escolha clara e virtuosa, apresentando-se como um homem honesto em contraste com Trump, que ele classificou como um criminoso condenado.

Biden destacou a necessidade de vencer Trump para proteger a democracia e pediu o apoio dos eleitores para alcançar esse objetivo. “Vamos vencer esse cara. Precisamos vencer esse cara e preciso de vocês para vencê-lo”, afirmou. O discurso foi bem recebido, com aplausos e gritos de apoio da multidão.

A Defesa da Democracia na América Latina continua: Bolívia sofre tentativa (felizmente frustrada) de golpe

Em um contexto diferente, mas com um tema semelhante, o presidente do Senado brasileiro, Rodrigo Pacheco, também se manifestou em defesa da democracia, seja a nível local e também global. Ele expressou alegria ao receber elogios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem descreveu como um político comprometido com a democracia.

Pacheco relembrou os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes no Brasil foram invadidas e depredadas. Ele também mencionou a tentativa de golpe na Bolívia, onde o ex-comandante do Exército, Juan José Zúñiga, e soldados aliados invadiram o Palácio Quemado, antiga sede do governo, mas foram desmobilizados. “Há dois anos tivemos problema de atentado à democracia. Na Bolívia essa semana tivemos violação democrática em um país. Portanto, esse monstro não está morto. Nós precisamos constantemente trabalhar em defesa da democracia”, afirmou Pacheco.

O país vizinho rapidamente estabilizou os ânimos, com a prisão de Zúñiga e mais de 20 militares envolvidos. Este primeiro havia sido destituído do cargo de comandante do Exército após fazer ameaças ao ex-presidente Evo Morales – afirmando que predenderia Morales caso ele volte ao poder.

O presidente da Bolívia, Luis Arce, já rapidamente nomeou novos chefes para as três forças e ordenou a desmobilização das tropas. A Procuradoria-geral da Bolívia anunciou que abriu uma investigação contra Zuñiga e todos os militares que participaram da tentativa de golpe – condenado até mesmo pela oposição.

Medidas Climáticas no Rio de Janeiro: a cidade vai finalmente cancelar eventos em caso de calor extremo

Paralelamente às questões políticas, a Prefeitura do Rio de Janeiro tem tomado medidas significativas para lidar com as ondas de calor, que representam uma ameaça crescente à saúde pública. Os índices de Níveis de Calor (NCs) foram desenvolvidos para avaliar não apenas a temperatura, mas também a incidência de raios ultravioleta e a duração das altas temperaturas.

Os níveis NC1, NC2 e NC3 não inspiram grandes cuidados, mas o NC4, que indica calor intenso por pelo menos três dias seguidos, já exige ações específicas. Nessa situação, avisos serão emitidos para que a população busque “ilhas de resfriamento” – locais com refrigeração. “Quando percebermos que tem um nível de calor muito alto, com uma previsão de permanência de pelo menos três dias consecutivos, começa a ter um impacto na saúde”, afirmou o prefeito Eduardo Paes.

O NC5, o nível mais alto, prevê a suspensão de atividades de risco ao ar livre, incluindo esportes e serviços de asfaltamento e limpeza urbana. Neste estágio, boletins meteorológicos serão divulgados a cada seis horas e um boletim epidemiológico será emitido até 72 horas após o fim da onda de calor. Este nível se caracteriza por temperaturas acima de 44°C durante pelo menos duas horas diárias por três dias consecutivos.

O prefeito Eduardo Paes destacou que, se o protocolo atual estivesse em vigor durante o show de Taylor Swift em novembro passado, o evento teria sido cancelado devido ao calor extremo. A criação de um comitê permanente para monitorar os índices de calor, coordenado pelo Centro de Operações Rio (COR), visa proteger a saúde pública e garantir uma resposta rápida e eficaz a eventos climáticos extremos.

2023 foi considerado o ano mais quente já registrado nos últimos 100 mil anos, de acordo com os institutos de meteorologia, estando até 1,4ºC mais quente desde o início da era pré-industrial. Segundo um dos institutos, o MetOffice, há uma chance de haver um ano que ultrapasse a marca de 1,5ºC – limite do acordo de Paris.

Com a chegada da La Niña, é esperado um inverno mais seco e frio no sudeste, porém há o temor sobre a primavera ser tão ou mais quente que no ano passado e que 2024 entre entre os cinco anos mais quentes dos últimos 100 mil anos.

Resumo

Os discursos, junto com as medidas climáticas no Rio de Janeiro, revelam um compromisso comum com a proteção da democracia e da saúde pública. Biden e Pacheco enfatizaram a necessidade de enfrentar ameaças à democracia, enquanto as autoridades do Rio de Janeiro implementam medidas para proteger a população das ondas de calor – cada vez mais graves.

Essas ações destacam a importância de líderes comprometidos, que reconhecem os desafios e estão dispostos a tomar medidas concretas para proteger suas comunidades. A defesa da democracia e a proteção da saúde pública são responsabilidades contínuas, exigindo vigilância, ação coordenada e o apoio da população. Seja combatendo ameaças políticas ou enfrentando os efeitos das mudanças climáticas, a liderança eficaz é essencial para garantir um futuro seguro e justo para todos.