A história de muitos aqui, atualmente, começa com esta sinopse: acorda cedo, checa o que acontece no grupo do WhatsApp/Telegram, ai entra no Facebook e lá vem a famosa discussão: fulano está criticando a gestora de um grupo, por ela simplesmente ter aplicado as regras da plataforma e informado a todos.
Uma avalanche de ofensas gratuitas entre quem está a favor do fulano, sem o conhecer, e quem está a favor da gestora, que gostaria de conhecer seus colegas pessoalmente. Assim, está sendo o ciclo violento de uma rede que seria social e não o é para uma mulher (e atenção: vai piorar ali).
Assim o diz Marie Declerc, do Não Prometo Nada:
Brain rot é um termo criado por (quem mais seria né?) jovens da internet para definir justamente essa sensação do cérebro escorrendo pelos buracos do nariz que nem uma secreção depois de uma overdose infinita de coisas completamente inúteis na internet.
E mesmo que o termo seria considerado “pejorativo”, por especialistas sobre saúde mental, faz total sentido: estamos hiper expostos e cada vez mais hiper vulneráveis tanto sobre a coleta de dados quanto sobre o comportamento digital. Há pessoas que infelizmente esquecem das regras sociais de uso e de convivência e fazem os cybercrimes que vão desde bullying digital à ganhar em cima das apostas de outras pessoas, influenciadas por elas, nas Bets e no Jogo do Tigrinho.
Na fase da adolescência, onde temos a migração do Ensino Fundamental II pro Ensino Médio, um estudo da UFMG aponta para a prevalência de 13,2% de vítimas de cyberbullying. O número em si ainda aponta para a queixa ser uma das portas de entradas ao uso abusivo de álcool e drogas, além da tendência ao s… (não vou completar a palavra aqui).
No filme “Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo”, Evelyn Wang se vê imersa em um multiverso de possibilidades infinitas, somos bombardeados diariamente por uma infinidade de informações e estímulos. Ela é uma personagem que nos convida a uma profunda reflexão sobre a condição humana em um mundo cada vez mais complexo e interconectado.
Dali, sua jornada pelo multiverso a coloca em contato com uma infinidade de versões de si mesma, cada uma vivendo realidades alternativas e enfrentando desafios únicos. Essa experiência a força a confrontar seus medos, suas inseguranças e a fragilidade de suas relações. A sensação de ‘brain rot’ é como tentar processar todas essas realidades paralelas ao mesmo tempo, resultando em uma espécie de colapso mental.
Pois, a violência da linguagem online, presente nas discussões nas redes sociais, ecoa a violência do multiverso, onde cada escolha gera um novo ramo na árvore das possibilidades. A diferença é que, enquanto Evelyn encontra uma forma de se conectar com suas versões alternativas e encontrar a paz interior, muitos de nós nos perdemos em um labirinto de informações, sem encontrar um caminho de volta.
Agora, a grande pergunta que envolve a todos nós é: afinal, rede sociais podem e devem ser melhor reguladas, para garantir a adequação das normas nacionais, ou teremos que construir as nossas próprias redes?
Enquanto vocês pensam nesta pergunta, informo que “Horizonte”, o meu mais novo livro de ficção, está chegando no dia 31 de janeiro nas lojas da Amazon e Google.









