Hipocrisia em Cartaz: O ECA só vale para brasileiros?

A recente passagem da equipe de Chappell Roan pelo Brasil deixou um rastro de amadorismo e desrespeito jurídico que não podemos ignorar. Enquanto a artista ascende globalmente, sua equipe parece ter esquecido de ler o básico sobre as leis do país que a recebeu: o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). A vítima da vez foi uma criança de 11 anos, enteada de um jogador de futebol, casado com uma pessoa altamente conhecida no Reino Unido (e que foi casada com o pai da criança, que é um ator renomado de Hollywood). Ou seja, a vítima é filha de famosos a nível mundial e o boletim de ocorrência aconteceu aqui em São Paulo.

O Vexame Internacional

A exposição inadequada de menores e a postura defensiva da equipe diante das normas brasileiras não é apenas um “erro de comunicação”, é um atentado à nossa soberania jurídica. O ECA (que tomou a sua forma digital nesta semana) não é uma sugestão; é uma barreira de proteção. Ver uma equipe estrangeira ignorar protocolos de segurança e privacidade infantil em solo brasileiro, sob o manto do “hype”, é vergonhoso.

Memória Curta ou Seletividade?

Onde está a indignação coletiva que vimos em casos anteriores? Vamos aos dados:

O Caso MC Gui: Em 2019, o país parou para condenar — corretamente — a atitude do cantor ao ridicularizar uma criança na Disney. O cancelamento foi imediato, marcas rescindiram contratos e a justiça foi cobrada. Fomos coerentes e implacáveis na defesa da dignidade infantil.

O Caso Chappell Roan: Diante de erros graves de sua produção envolvendo a mesma temática de proteção ao menor, parte do público silencia ou suaviza a crítica sob a justificativa da “estética” ou do “momento” da artista.

A pergunta que fica é: Por que o rigor da lei e o tribunal da internet só funcionam com o artista local? Por que aceitamos que equipes estrangeiras tratem nossas leis como meros detalhes burocráticos?

A implementação do ECA física e digital exige que sejamos vigilantes com todos, sem exceção de CEP ou número de streams. Proteger nossas crianças é um dever soberano, não um acessório de marketing que se descarta conforme a conveniência do fã-clube, só porque a artista em questão só canta para adultos.


Pra findar: O Brasil não é terra de ninguém. Mesmo com defeitos que a gente tem, temos que nos defender de uma afronta desse tamanho. Sem mais.