A Polêmica do Top 100 da Apple Music: Uma Falta de Harmonia Global?

Imagem: Apple

Em recente iniciativa, a Apple Music lançou sua lista dos 100 Melhores Álbuns de Todos os Tempos, gerando um burburinho de aplausos e críticas. Enquanto alguns celebram a seleção como uma homenagem as novas obras-primas musicais, outros contestam a falta de diversidade geográfica, questionando se a lista realmente representa a riqueza global da música.

Nesta resenha, vamos abordar com foco inicial na questão geográfica da seleção dos discos: enorme parte dos 100 eleitos são da chamada zona Commonwealth (que engloba países colonizados pelos britânicos, como Estados Unidos e Austrália), enquanto praticamente nenhum dos eleitos vieram de outras regiões que possuem grande variedade e tradição musical – como o Brasil, por exemplo.

A efeitos de comparação, a lista das 100 melhores músicas de 2022 feita pelo site parceiro do Pool Eurovision Brasil, o Kolibli, teve mais diversidade em termos de países contemplados no seu ranking do que o serviço de streaming da big tech. Essa disparidade encontrada aqui entre as listas aponta que a Apple ignora a rica tapeçaria de sons e gêneros que definem a música global, desde o afrobeat da Nigéria até o tango da Argentina, passando pelo samba do Brasil e pela qawwali do Paquistão.

E isso levanta preocupações sobre a curadoria da Apple Music e seus critérios de seleção, questionando se a plataforma realmente valoriza a diversidade musical em toda sua amplitude. Embora vários destes discos, sobretudo a vencedora do ranking “The Miseducation of Lauryn Hill” (Lauryn Hill), possuem um impacto significativo na cultura e no mercado musical global, é preciso afirmar que existe uma espécie de elite musical ocidental, cujos efeitos apresentados pela lista podem perpetuar vieses e marginalizar gêneros e artistas de outras culturas.

Portanto, a polêmica levantada pela lista nos mostra que precisamos conversar e passar a escutar mais discos fora das recomendações das plataformas de streaming musical e abrirmos espaço a artistas e gêneros que representam a rica tapeçaria sonora do nosso planeta. Em outras palavras: fica o lembrete de sairmos da caixinha um pouco mais.