Esta semana, pela enésima vez, Carapicuíba virou palco de mais uma tragédia que escancara o fracasso na formação e na atuação dos Conselhos Tutelares.
Quem vive aqui sabe: já não é a primeira nem a segunda vez. Tivemos o caso do chamado “pastor mirim” (que de engraçado não tinha nada nos vídeos), a criança morta pelo padrasto (encontrado sem vida horas depois) e, agora, a denúncia de exploração infantil que finalmente veio à tona — mas só depois de muita pressão de jornalistas, blogueiros e até youtubers.
A prisão dos responsáveis foi apenas a ponta de um iceberg. A sensação é de que estamos sempre correndo atrás do prejuízo, reagindo depois que o pior já aconteceu. Isso não é proteção. Isso é abandono.
E aí fica a pergunta: será que não está na hora de rever o modelo dos Conselhos Tutelares? Talvez seja necessário transformá-los em órgãos com autonomia real, sob fiscalização do Poder Judiciário e apoio firme do Executivo, em vez de continuar entregues à sociedade civil de forma tão precária e vulnerável a interesses políticos.
As redes sociais também não ficam de fora dessa discussão. Plataformas lucram com algoritmos que amplificam conteúdos nocivos, mas se mostram frágeis quando é hora de proteger crianças. Muitas vezes até silenciam quem denuncia — como já vimos recentemente. O conteúdo vira isca, a regulação interna é fraca e a responsabilidade, empurrada para o usuário.
No fim, o que vemos é um ciclo de descaso: tragédias tratadas como “parte do cotidiano”, Conselhos usados como moeda política e redes sociais que preferem o lucro à segurança.
Até quando vamos aceitar isso? Até quando vamos fingir que as crianças estão protegidas, quando na verdade estão expostas ao pior?
Se nada mudar, continuaremos apenas assistindo — impotentes — a história se repetir. E nenhuma criança, em Carapicuíba ou em qualquer outra cidade, estará realmente a salvo.









