A temporada de premiações mal começou e o cinema brasileiro já respira expectativa. A Academia Brasileira de Cinema divulgou a lista dos 16 filmes que concorrem à vaga nacional para o Oscar 2026, na categoria de Melhor Filme Internacional. É daqui que sairá o título que vai carregar a bandeira do país em Hollywood — uma decisão que sempre divide críticos, cinéfilos e até mesmo os próprios cineastas.
A lista, divulgada agora em agosto, reúne nomes de peso e novos olhares. Entre eles estão veteranos como Anna Muylaert, que apresentou A Melhor Mãe do Mundo na Berlinale, e Kleber Mendonça Filho, ovacionado em Cannes com O Agente Secreto. Mas também surgem estreias de impacto, como Manas, de Marianna Brennand, e Malu, de Pedro Freire, além de projetos com forte apelo cultural, como Milton Bituca Nascimento, de Flavia Moraes.
No dia 8 de setembro, a lista será reduzida para seis finalistas. E em 15 de setembro, conheceremos o escolhido que seguirá para Los Angeles. Vejam como está essa lista:
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A Melhor Mãe do Mundo – Anna Muylaert
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A Praia do Fim do Mundo – Petrus Cariry
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Baby – Marcelo Caetano
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Homem com H – Esmir Filho
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Kasa Branca – Luciano Vidigal
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Malu – Pedro Freire
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Manas – Marianna Brennand
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Milton Bituca Nascimento – Flavia Moraes
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O Agente Secreto – Kleber Mendonça Filho
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O Filho de Mil Homens – Daniel Rezende
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O Último Azul – Gabriel Mascaro
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Oeste Outra Vez – Érico Rassi
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Os Enforcados – Fernando Coimbra
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Retrato de Um Certo Oriente – Marcelo Gomes
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Um Lobo Entre os Cisnes – Marcos Schechtman e Helena Varvaki
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Vitória – Andrucha Waddington
O peso de um passado recente
Vale lembrar que o Brasil ainda celebra o feito histórico de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que conquistou em 2025 a estatueta de Melhor Filme Internacional — o primeiro Oscar nessa categoria para o país. A vitória abriu um novo capítulo: de repente, o cinema brasileiro deixou de ser apenas promessa para se tornar uma presença respeitada no circuito mundial.
Isso aumenta, e muito, a pressão sobre a escolha deste ano. Será possível repetir o feito? Isso depende da escolha a ser feita e, da lista, há dois destaques que parecem despontar com maior força.
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A Melhor Mãe do Mundo (Anna Muylaert) — Drama íntimo e social, protagonizado por Shirley Cruz e Seu Jorge, já exibido em Berlim e em cartaz nos cinemas brasileiros. Muylaert tem histórico de bons desempenhos em competições internacionais (Que Horas Ela Volta? ainda é lembrado).
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O Agente Secreto (Kleber Mendonça Filho) — Grande destaque em Cannes, onde levou Melhor Diretor, Melhor Ator (Wagner Moura) e o Prêmio da Crítica (FIPRESCI). A estreia nacional está marcada para novembro e o prestígio internacional joga a favor.
Há, porém, outras obras que podem surpreender como Baby, de Marcelo Caetano, que já chamou atenção em festivais locais; Retrato de Um Certo Oriente, de Marcelo Gomes, que aposta na adaptação literária; e O Último Azul, de Gabriel Mascaro, que trabalha o lirismo poético que o diretor já domina tão bem.
O que se vê é um cenário rico e plural. Se por um lado parece óbvio apostar em nomes consagrados como Muylaert ou Mendonça Filho, por outro, há espaço para surpresas vindas de novas vozes — e a própria Academia Brasileira de Cinema já mostrou, em outras ocasiões, disposição para escolhas ousadas.
Mas, diante do cenário pós Ainda Estou Aqui, talvez estejamos diante de uma decisão difícil, porque quase todos os filmes têm potência narrativa para dialogar com públicos internacionais. Mas também pode ser uma escolha “óbvia e lógica” se o peso da visibilidade em festivais for determinante (neste momento, a favor de Agente Secreto).
Seja qual for o escolhido em 15 de setembro, a seleção já mostra algo importante: o cinema brasileiro vive um momento de pluralidade criativa, com espaço para veteranos e estreantes, narrativas íntimas e épicas, documentários e ficções.
Hollywood que se prepare — o Brasil vem novamente com força.









