Polêmicas e Classificados: Noite Memorável nas Semifinais do Eurovision 2024

Imagem: Urbanna, com imagens de HRT.

A noite de 07 de maio no Eurovision 2024 foi marcada por performances memoráveis e polêmicas, desde a reação do público aos posicionamentos controversos do organizador Martin Österdahl (vaiado) até as apresentações que garantiram a passagem para a grande final. Neste resumo, destacamos os destaques da noite, desde a consagração da Finlândia e da Lituânia até as decepções da Austrália e da Moldávia. Além disso, discutimos as controvérsias envolvendo a representação de Luxemburgo e as intervenções da EBU.

Vamos falar dos classificados da noite e quem, pelas médias minhas e de Danilo Barion, mereceram passar à grande final – e quem também passou, mas sem aquele fator “gostinho de quero mais” na final.

A começar pela já previsível Finlândia e seus Mamonas Assassinas de Helsinque, encabeçados pelo Windows95Man (que quase virou o MC Bin Laden da temporada, não precisou mudar o nome artístico): apresentação lúdica, sobre até mesmo a aceitação de seu próprio corpo e colocou no bolso todas as críticas feitas por quem gosta de bumbum – desde que seja rebolando.

O segundo nome, de primeiro momento não me convenceu no quesito “quero mais”, mas tornou-se uma queridinha das baladas dançantes e colocou, com méritos, a Lituânia como a nova poderosa das semis (e se olharmos o retrovisor, tínhamos The Roop e as Monikas).

O terceiro nome (e dos merecidos) foi um nome teatral e espetacular: Bambie, representante da Irlanda, foi censurada pela equipe da EBU quando poderia ter mostrado a mensagem pedindo o fim às guerras, mas a reação à isso, somado com a transformação do palco numa releitura dos filmes de Zé do Caixão trouxe um recado: o público AMOU, a galera GAMOU e até quem queria nem votar, VOTOU. Recado dado do povo à cúpula: se u Bambie (este é o pronome) não ganhar, olé, olé, olá…

Infelizmente, Austrália ficou pelo caminho mesmo com uma das canções espetaculares da temporada. Uma canção que exalta a diversidade do jeito que merece ser tratada (e não para fins de mascarar a imagem da nação que compete). Será uma das queridinhas do público como pós temporada, junto à Polônia.

Se Bambie foi censurada, no caso das moças da Ucrânia (até porque, a EBU não iria peitar a poderosa dona do cinturão das semis) foi o contrário: sem uma única palavra, mas com os visuais que certamente mostraram a MESMA mensagem de Bambie, Alyona e Jerry mostraram a verdadeira essência da música e da arte e de seus manifestos. Final espetacular – mesmo sem poder vencer, a queridona do povo vai fazer barulho!

Outra que ficou no caminho, mas que poderia passar se houvesse um casamento harmônico do palco com a canção (que é folclórica) seria o Azerbaijão. Ao contrário do último ano, quando mandou uma versão de É Preciso Saber Viver (Roberto Carlos), o país do fogo empolgou e cativou os colegas.

Sérvia conseguiu sua classificação, mesmo sendo divisível entre até os membros do Eurovision Brasil. Mas Teya Dora cumpriu o seu papel de canto, de balada romântica, o cenário darcão da massa funcionou – mas pode não cativar no sábado.

E o que falar de Portugal, que conseguiu a sua quarta classificação seguida, mas sem aquele gostinho da concorrência forte, sem um representante com diversidade, com uma final nacional que tinham nomes e canções até melhores, mas não aproveitadas ainda nas semis? O fato de ter sido a segunda anunciada, faz a titia prever que iolanda talvez tenha ficado entre o oitavo e décimo lugar (espero estar errada).

Olhando o retrovisor de Portugal, tivemos desde 2017: Sobral, Osiris, Mamba, Maro, Mimicat, teríamos Elisa. Ou seja, iolanda é uma boa cantora, espero que seu talento seja lapidado, mas não tenho boas impressões de que o time português irá ser lembrado na grande gala.

Depois, temos Chipre – outra a trazer altos pesadelos à cúpula do festival por sua diplomacia com a Grécia. Silia Kapsis entregou tudo que os fãs gostam de ver da nação cipriota (e receber das mãos de Eleni Foureira a abertura, ajudou). Pode não ter encaixe na dança, mas tem canto, pode ter alguma falha que logo em seguida foi corrigida. Parabéns ao time.

E, por fim, a concorrente direta ao título de 2024: Croácia. Baby Lasagna entregou vocais no ponto, com uma canção folclórica e hard rock. Prevejo muito sucesso a esta canção na gala final e seu pós, com repetições à lá Måneskin na 89FM.

Para a tristeza e até alívio de muitos, as últimas duas canções que não passaram foram da Moldávia e da Islândia. Apresentações perdidas, pois faltou um coro ou umas dançarinas a acompanhar e custou caro para duas nações que se classificaram por vários anos seguidos.

Eslovênia, não muito acreditada inicialmente, conseguiu sacramentar a nona vaga. Também com elementos teatrais e folclóricos que nos matam a saudade da Romênia e dos contos da Transilvânia, a performance vampiresca surpreendeu positivamente os espectadores que a votaram.

A última classificada é o retornado Luxemburgo e com um tiquinho de polêmica aqui no telão: a mensagem de “Lutadora” apareceu com as cores de Israel – país que compete, de acordo com a EBU.

Porém, o público não quer isso – e tampouco merece, pois prejudicou a experiência dos fãs que queriam ver o show em Malmö com segurança. Ademais, o público também não gostou das “intervenções” da cúpula do show até para a sua atração principal da abertura que foi Eric Saade, filho de Palestino, que representou a Suécia em 2011.

A organização quer que você, espectador, esqueça esta apresentação abaixo e seguisse aquela vergonhosa nota de repúdio, que afastou até 20% dos espectadores logo no primeiro dia. Porém, nós e o público geral dizemos bem alto aos senhores que comandam o evento: NÃO!

Saade foi alvo de trolls nas redes sociais, bloqueado pela conta do próprio festival quando faltava uma semana pro evento. Acharam que o moço não iria reagir à essa falta de profissionalismo e de humanidade da parte da EBU? Até a titia quer ver depois os posicionamentos dos colegas que já cantaram no evento e que são engajados pelo cessar-fogo (inclusive, o Sobral – que rapidamente se posicionou).

E como diria o saudoso Alan Neto (1940 – 2024): OLHA O DEEEEEEEDO DO TREM BALA!


Pra finalizar: Urbanna, Kolibli e a equipe do Eurovision Brasil está abraçando o Rio Grande do Sul. Se você puder, doe de seu coração a galera da CUFA – que estão arrecadando o máximo que puderem para enviar aos nossos colegas gaúchos. Todos os detalhes para sua doação, você pode fazer acessando o link acima.